quarta-feira, janeiro 10, 2007

[Quanto, quanto me queres – Perguntaste






Quanto, quanto me queres – Perguntaste

Numa voz de lamento diluída;

E quando nos meus olhos demoraste

A luz dos teus senti a luz da vida.


Nas tuas mãos as minhas apertaste;

Lá fora da luz do Sol já combalida

Era um sorriso aberto num contraste

Com a sombra da posse proibida…


Beijámo-nos, então, a latejar

No infinito e pálido vaivém

Dos corpos que se entregam sem pensar…


Não perguntes, não sei – não sei dizer:

Um grande amor só se avalia bem

Depois de se perder.


António Botto

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