terça-feira, janeiro 23, 2007

"Destino na Lua "

Se há coisas que são inesquecíveis,
outras são inolvidáveis.
Ainda hoje me relembrei de uma canção da minha juventude,
que passo a citar.

"Esta noite eu chorei tanto,
sózinha sem ninguém.
Por Amor todo o mundo chora,
um Amor todo o mundo tem.
Eu porém vivo sózinha,
muito triste sem ninguém.

- Será que eu sou feia?
- Não é não senhor!
- Então eu sou linda?
- Você é um amor!
- Responda-me então, porque razão, eu vivo só sem ter ninguém?!
- Você tem um destino na lua, que a todos encanta e não é de ninguém!
- Ai, eu tenho um destino na lua, que a todos encanto e não sou de ninguém.
- Não é de ninguém!
- Ai, eu não sou de ninguém!

Miluska

quarta-feira, janeiro 17, 2007

" Um Beijo"


Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior...Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,

E do teu gosto amargo me alimento,

E rolo-te na boca mal ferida.

Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
Baptismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! e anseio, delirante,
Na perpétua saudade de um minuto...

Olavo Bilac

terça-feira, janeiro 16, 2007

Fazer de Conta


Faço de contas que sou mais feliz
Faço de contas que sei bem quem sou
Faço de contas que já me encontrou
Ess'alma que me amou e eu não a quis.

Faço de contas que sou alma actriz
Faço de contas que sei onde estou

Faço de contas que já me encantou
Ess'alma que me fala e nada diz.

Faço de contas que tudo sei ser
Faço de contas que não há "porém"
Faço de contas que tudo vou ter.

Faço de contas que são mais de cem
As contas que não conto por saber
Que ao certo contas certas ninguém tem.

quarta-feira, janeiro 10, 2007


Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?
Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira e verídica.


Preciso habituar-me
ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor
de todos os teus gestos

invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.


Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Raul de Carvalho

O Anjo de Pedra



Tinha os olhos abertos mas não via.

O corpo todo era saudade

De alguém que o modelara e não sabia

Que o tocara de Maio e claridade.


Parava o seu gesto onde para tudo:

No limiar das coisas por saber;

- e ficara surdo e cego e mudo

Para que tudo fosse grava no seu ser.


Eugénio de Andrade


[Quanto, quanto me queres – Perguntaste






Quanto, quanto me queres – Perguntaste

Numa voz de lamento diluída;

E quando nos meus olhos demoraste

A luz dos teus senti a luz da vida.


Nas tuas mãos as minhas apertaste;

Lá fora da luz do Sol já combalida

Era um sorriso aberto num contraste

Com a sombra da posse proibida…


Beijámo-nos, então, a latejar

No infinito e pálido vaivém

Dos corpos que se entregam sem pensar…


Não perguntes, não sei – não sei dizer:

Um grande amor só se avalia bem

Depois de se perder.


António Botto

  Bolinhos e bolinhós Para mim e para vós Para dar aos finados Que estão mortos, enterrados À porta da bela  cruz Truz! Truz! A senhora que ...