sexta-feira, março 09, 2007

"A carícia perdida"




Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?

Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...

Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.

Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?


Indiferença



Ora Diz-me a verdade:

Tu já sentiste por mim

Uma sobra de saudade,

De amor, de ciúme, enfim,

Uma impressão que indicasse

Haver em teu coração

Fibra, corda que vibrasse,

A minha recordação?


Parece, mas o contrário;

Sim, o que devo supor

É deserto e solitário

O teu coração de Amor!

Não digo por outro; invejo

Talvez a sorte de alguém…

Mas o que eu sei, o que eu vejo,

É que me não queres bem!


  Bolinhos e bolinhós Para mim e para vós Para dar aos finados Que estão mortos, enterrados À porta da bela  cruz Truz! Truz! A senhora que ...