quinta-feira, outubro 26, 2006


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, ainda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra a hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

"Mas o que é importante para quem ama?
O que faz com que as mulheres se abram...
E que os homens a penetrem?
A vontade única de tornarem-se totalmente parte do outro..."

"Estavas tão secreto em meu peito
Que eu mesmo que te tinha, não sabia
Que de mim se assenhoravas deste jeito"






Anjo, pureza
divina.
Quero ter tua alma,
Pois ela me ilumina
E meu sofrimento acalma.

terça-feira, outubro 17, 2006

Desabafo


Dos teus olhos
caiem as ultimas lágrimas
para o lago das minhas lamentações.
tantas tristezas
numa só alegria
Quero gritar,
desabafar,
começar a chorar
por algo
que sempre fiz a rir.
não quero morrer sem antes chegar a ti
mas...
Viver
só para alimentar essa esperança
é tão desalentador!!
Sempre criei um mundo tão diferente
que,
entre criar o sonho
e destruir a realidade
fico no meio
de uma ruina em construção.
Eu...
Tu...
Nada.

Ilusão


Cabelos de chuva,
Meus olhos
Raiados de amor e paixão.
Descubro em ti,
um amor que o vento apagou.
Havia ainda
tanto por contar!...
Agora,
Já meus olhos recusam falar.
Não há amor
Como aquele que te dei.
Pena estar tudo perdido,
Arrastado...
No horizonte.
Não sei se voltarei,
Talvez ao entardecer
Quando só a luz da Lua
Descobrir minhas lágrimas.
Chorar?
Já nunca!!
Saudade?
Para sempre.

Ilusão?
Essa, nunca se há-de perder!

sábado, outubro 14, 2006


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus...


Eugenio Andrade

terça-feira, outubro 10, 2006

Ode Autobiográfico










Nasci com olhos claros
E com orelhas favorecidas.
Foi um daqueles momentos raros,
De longas noites idas.

LINCE logo me chamaste
Quando para mim olhaste,
Ficando assim apelidada.
É preciso ter lata...!!!

Aquilino tinha a Raposeta Matreireta,
Senhora de muita treta.
Tu tens o Lince da Malcata,
Senhora de muita lata!

Com o passar dos tempos,
o lince envelheceu.
Mas o nome que me puseste,
Nunca se esqueceu.

Nasceu assim o Blog
da Lince preguicinha
Está mais velha
a tua princesinha.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Desejo


No tropel do olhar

Cruzar

O espaço

E estreitar

O laço

Do abraço,

Voar!

Fugir!

Depois,

Sermos

Num só

Os dois,

Em rota a sul!...

E ali,

Fruir!

Amar!

Sorrir!

Só regressar

Quando o céu se cansar

De ser azul!

Criança que pede



Pedes, menino, o que não tens...

Pedes Amor... não pedes pão!

Não pedes tecto!

Pedes carinho...

Calor humano!

...pedes afecto!

...pedes afecto!

Ninguém te escuta...Ninguém te entende...

Porquê, menino?

Quem te deixou, assim, sozinho?... quem te deixou?...

No teu olhar, de sombra e cor,

Há abandono... fome de amor...

E há, também,

Prenunciados,

Muitos recados

A recolher...

Mas quem, menino

Vai entender

Quem?

Quem??....

sexta-feira, outubro 06, 2006

Para um certo Dom Quixote...


LETRA

¡Bien haya quien hizo
cadenitas, cadenas;
bien haya quien hizo
cadenas de amor!

¡Bien haya el acero
de que se formaron,
y los que inventaron
amor verdadero!
¡Bien haya el dinero
de metal mejor!
¡Bien haya quien hizo
cadenas de amor!

Miguel de Cervantes y Saavedra


quarta-feira, outubro 04, 2006


"Todas as coisas humanas têm dois aspectos... para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não podemos nos assegurar de nenhuma verdade."

Erasmo – Elogio da Loucura, 1509

terça-feira, outubro 03, 2006

Love





Come slowly, Eden!
Lips unused to thee,
Bashful, sip thy jasmines,
As the fainting bee,

Reaching late his flower,
Round her chamber hums,
Counts his nectars—enters,
And is lot in balms!
Emily Dickinson

Estado de Chuva



Estado de chuva indefinida, pura, sem cor, em viço eterno. Totalidade, luz principiada.

domingo, outubro 01, 2006


Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou
-Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar,
E o fogo que ateou

Vivaz, eterno, divino.
Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave

E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Almeida Garret


A felicidade é um perfume que não podemos espargir sobre os outros, sem que caiam algumas gotas sobre nós mesmos.

Amizade....


La amistad es algo que se tiene, pero que no esta en venta...
Gracias, amigos!!!

  Bolinhos e bolinhós Para mim e para vós Para dar aos finados Que estão mortos, enterrados À porta da bela  cruz Truz! Truz! A senhora que ...