sábado, fevereiro 17, 2007

O que é Amar




Dizem por aí que amar não compensa
- Mas é apenas a voz da descrença
No predomínio espiritual
Da humana existência –.

Porque o Amor não é material,
Não pode ser verdadeira aquela sentença.

Amar é amor em acto,
E só quem não tiver essa experiência
- Porque nunca amou ou foi amado –
Poderá duvidar de tão rica vivência.

Ó lua cheia! Ilumina estes corpos
Sem alma, que não suportam o solar jacto.

É gente que aprendeu a conviver
Nas trevas, sem a luz interior,
Resplandecente, e que provém do espírito
- Que é a fonte do amor –.

Dá – lhe, Senhor, o dom de poder ver
Como se é feliz, no prazer e na dor.

Amar é um sentimento complexo,
Que só entes sensíveis podem entender;
Não é um mero coito ou amplexo,
É um dar tudo, mesmo sem nada obter,

Não físicos bens, por invejáveis que sejam,
Mas sim o que de mais intimo há num ser.

É viver o amado dentro de si,
Numa comunhão de pensamentos e acção,
Como se num só ente se fundissem,
Fazendo dos dois um só coração.

- E isso tem de ser real e não ficção,
Em que um amaria, mas o outro já não.

Pode não compensar no campo material
- Que nunca foi nem é o fito do amor –,
Porém, compensa sempre no espiritual,
Que fonte também é da alegria,
Da tristeza, do prazer e da dor,
E não uma vivência apenas animal.

A Felicidade




Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada
Não e mais a existência resumida
Que uma breve esperança malograda

O eterno sonho dalma desterrada
Que a traz ansiosa e embevecida
E uma hora feliz sempre adiada
E que não chega nunca em toda vida

Essa felicidade que supomos
Arvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos

Existe sim, mas nunca a encontramos
Porque ela esta sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nos estamos.

Fernando Pessoa

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

"As duas flores"


São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas,
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de Sol.
Unidas bem como as penas,
Das duas asas pequenas,
De um passarinho no céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas,
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos
Que em parelha descem tanto,
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do Mar
Unidas...ai quem pudera
Numa eterna Primavera
Viver qual vive esta flor,
Juntar as rosas da vida,
Na roma verde e florida,
Na verde roma do amor

Castro Alves

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Dá-me Lume




O dia dos namorados vem a caminho, mas mais uma vez vou passar o dia a trabalhar.... Fica no entanto a letra de uma musica muito especial para alguem muito especial.
Dá-me Lume

Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom
A banda não tinha tom
Mas tu fizeste a noite apetecer
Mandaste a minha solidão embora
Iluminaste o pavilhão da aurora
Com o teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Eu fiquei louco por ti
Logo rejuvenesci
Não podia falhar
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo à mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e o reverso
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me
Até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas
Há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espírito aberto
Às vezes andei perto
Da essência do amor
Porém no meio dos colchões
No meio dos trambolhões
A situação era cada vez pior
Tu despertaste em mim um ser mais leve
E eu sei que essencialmente isso se deve
A esse passo inseguro
E ao paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me
Até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas
Há tanto tempo a acenar

Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse crítico de arte
Havia de declarar-te
Obra-prima à escala mundial
Mas eu não passo dum homem vulgar
Que tem a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar
Esse teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

  Bolinhos e bolinhós Para mim e para vós Para dar aos finados Que estão mortos, enterrados À porta da bela  cruz Truz! Truz! A senhora que ...